Acordámos para o último dia em que estaríamos todos juntos. De há uns dias para trás que a nostalgia da despedida se fazia sentir mas, neste último dia, era bem mais notória. Sabíamos que brevemente chegaria o momento em que teríamos de nos separar...
Depois do pequeno-almoço, apanhámos o Sky Train em direcção ao templo Wat Arun, mais vulgarmente conhecido como "Temple Of Dawn" - nome que se justifica, provavelmente, por fornecer uma vista magnífica no momento em que o Sol se põe. Contudo, foi ainda de manhã que visitámos o templo, não menos magnífico àquela hora. :) Saídos do metro de superfície, apanhámos uns barcos que esperavam por nós junto ao cais. Foi assim que viajámos, pela primeira vez, de long tails, até chegarmos ao templo. :)
(Ao avistarmos, pela primeira vez, o Temple Of Dawn)
Ali na passagem dos anos 80 para os anos 90, a Nora Ephron escreveu e realizou comédias românticas que iriam marcar, pelo menos durante algum tempo, o género. Primeiro foi a argumentista de When Harry Met Sally (com realização do Rob Reiner), e depois escreveu e realizou Sleepless In Seattle e, mais tarde, You Got Mail. Para além de marcarem o género, com histórias urbanas e sofisticadas e diálogos vivos e imaginativos, estes filmes iriam definir o essencial da carreira da actriz Meg Ryan, que raramente voltou a ser tão luminosa como neles.
Agora a Nora Ephron realizou mais uma comédia, Julie & Julia, que adapta livros baseados em histórias verdadeiras de duas mulheres que viveram em épocas distintas mas que tinham a uni-las o facto de ambas terem utilizado a cozinha e a gastronomia como formas de dar sentido às suas vidas. O que não deixa de ser um aspecto curioso, assim uma espécie de feminismo ‘a contrario’.
Apesar de ser um nadinha comprido demais (o valor narrativo da elipse, como recurso por excelência do cinema, vai-se perdendo), o filme é elegante, leve, sofisticado, e muito divertido. Além disso faz-nos ter vontade de correr para a cozinha mais próxima e começar a descobrir os encantos da manteiga e dos ovos.
Mas aquilo que torna o filme uma delicia, é a dupla de actrizes que lhe dão corpo: a Amy Adams (que é a Meg Ryan de serviço, versão anos 2000) e sobretudo a Meryl Streep. É um bocado inacreditável como a Meryl Streep ainda nos consegue surpreender de filme para filme, como nos encanta como se fosse a primeira vez que a vimos, como é sempre uma actriz que nos deixa numa quase euforia só de a ver trabalhar, de ver a maneira como ela habita as personagens, como lhes dá alma e sopro. E se sempre foi uma actriz dramática excepcional, a sua mais recente participação em filmes de comédia têm mostrado como ela é igualmente genial neste género, sobretudo porque consegue sempre transmitir a ideia de que se está a divertir imenso, e não há nada mais contagioso no humor do que vermos que o comediante se está verdadeiramente a divertir.
O meu clube preferido no futebol inglês é, e foi sempre, o Manchester United, mas o hino de um clube de futebol mais bonito do mundo é o do Liverpool. You’ll Never Walk Alone é uma canção da autoria da dupla Rogers & Hamerstein que, como não podia deixar de ser, nasceu num musical, tendo sido adoptado pelos ‘kopites’, os fãs do Kop do estádio de Anfield, em princípios dos anos 60. Claro que é espectacular ouvi-la cantada pelos adeptos, mas escolhi esta versão pelo Johnny Cash porque, enfim, é do Johnny Cash.
Ouvi ontem esta canção, logo de manhãzinha, na derradeira edição dos Ruídos de Inveja, uma rubrica musical que o Luís Norton de Matos manteve durante muito tempo (quinhentas e tal edições, acho eu) na rádio M80 (já agora, a versão da canção que o programa tocou é a mais identificada com o Liverpool, a dos Gerry and The Peacemakers).
E a escolha desta canção para finalizar o programa é mais um toque da inteligência e do bom gosto com que o Luís Norton de Matos conduziu estes breves apontamentos musicais, e que eu ouvia, quase todas as manhãs, no percurso de casa para o trabalho. Devo aos Ruídos de Inveja algumas descobertas bem saborosas, e devo-lhe ainda o relembrar de grandes canções da pop das últimas décadas, sobretudo daquelas em que eu era jovem. Mas devo-lhe sobretudo, e muitas vezes, aquela canção que me dava uma enorme boa disposição logo de manhã, que me punha a cantar aos berros dentro do carro a descer o viaduto do Bairro ou a subir para os Olivais, e que depois ficava a tocar na minha cabeça durante o resto do dia.